Eu tinha 12 anos quando meu tio Sérgio fechou a empresa de informática dele, em Pelotas. Sobraram monitores preto e branco minúsculos, computadores 386 e 486 e impressoras matriciais IBM de folhas gigantes.
Tudo foi parar na casa do meu pai, que sempre amou eletrônica. Confesso: eletrônica nunca foi comigo. Mas aquelas máquinas acenderam uma chama — algo dentro de mim dizia que ali estava o meu futuro.
Meu padrinho, Leonel Nunes, me deu o maior presente que recebi na vida. Recém-assumido como chefe de informática da Universidade Católica de Pelotas, me chamou para um estágio voluntário no POP UCPel — o Ponto de Presença da Rede Tchê.
Montei e desmontei centenas de máquinas. Instalei do Windows 3.11 ao XP. Conheci o Linux quando o Debian ainda vinha em 8 CDs. Aprendi TCP/IP, redes, servidores e cabeamento — a base de tudo.
Aos 16, entrei no mercado. Cedo demais, talvez: durei quatro meses na primeira empresa. A maturidade veio de um lugar inesperado — o Exército. Na Companhia de Comando e Apoio, construí os pilares que carrego até hoje: disciplina, respeito e trabalho. E, claro, continuei na informática — mexendo com Samba e firewall.
Atendi o comércio de perto — farmácias, lojas, servidores improvisados que, quando a fonte queimava, paravam a empresa inteira. Ali entendi na pele como é difícil empreender.
Na Doctornet, minha grande escola, passei quatro anos subindo torres de 40 metros para levar internet do centro das cidades às granjas do interior. Montei data centers de verdade — piso elevado, nobreaks, fusão de fibra — e tirei minhas primeiras certificações Microsoft, em 2011 e 2013.
Cheguei a uma empresa alemã com escritório em Pelotas e conheci o mundo do desenvolvimento — minha cabeça explodiu. Ver como nasciam as aplicações, as linguagens, o front e o back somados à infra... era um universo novo.
Era também o estouro das startups no mundo: Uber, Netflix, Spotify, Nubank. Eu via tudo de perto, ainda como o sysadmin da infraestrutura, mas com uma vontade imensa de criar.
Aceitei sair da zona de conforto e troquei a infraestrutura pela área de negócios. Virei account manager, business analyst e business developer. Atendi Siemens, Deutsche Bank, Vivo, Azul e, mais tarde, SporTV, Globo e BRB.
Em 2021, na Double Left, conduzi como gerente de conta e de projeto a entrega de dois ícones: o Almanaque Tudum, da Netflix, e a Retrospectiva do Spotify. Pela primeira vez, eu unia a técnica que dominava à estratégia que estava aprendendo.
Fundei a Unlimited Tech e a Uncover Studios. Criamos a SportvLand, um mundo do futebol brasileiro no Roblox para o SporTV. Depois veio a SennaLand, o universo de Ayrton Senna, feito com a própria família. E o Doegols, projeto social do SporTV cuja estratégia de expansão eu liderei.
Escolhi um caminho claro: tecnologia que muda vidas. Entrei cedo na Alia Inclui, como sócio e CTO — aplicando IA para dar a pessoas cegas e de baixa visão acesso à informação dos rótulos de supermercado. Hoje, sigo desenvolvendo a tecnologia dela pela UTech.
E sou sócio e CTO da GeneXperience, que democratiza o acesso a laudos genéticos na área da saúde.
Como CEO da UTech, consultor e mentor, faço o que aquele garoto de 12 anos — encantado por uma pilha de computadores velhos — sempre quis: usar a tecnologia para criar algo que importa. E ajudar marcas e pessoas a fazerem o mesmo, com a inteligência artificial como motor.
Gratidão
Nada disso seria possível sozinho. Obrigado a quem caminhou comigo nessa jornada: Paulo Lapuente, Leonel Nunes, os professores Marilton e Adenauer, Ulisses Nornberg, Iuri Souza, Mateus Chepp, Fabiano Bitar, Ricardo Heck, Rafael Fonseca, Tati Duarte, Débora Rosati, Carol Dall'Acqua, Aline Rosa, Andre Salvador, Gabriel Silva, Paulo Nunes, Felipe Peres, Gabriel Santos, Rebecca Valente, Felipe Seixas, João Pedro, Luiza Lucena, Gabriel Ratz, Tiago Zanini, Fernanda Verdi — e tantos outros.
